quarta-feira, 5 de abril de 2017

Como surgiu o Guia Michelin


É interessante pensar como uma categoria de profissionais da gastronomia que movimenta milhões de dólares por ano ao redor do mundo se dispõe ao crivo de uma das maiores fabricantes de pneu do planeta. Já pensamos nisso? Pneus.
Das mais nobres intenções que o guia pode ter, ele nasceu com uma vontade muito clara: vender mais pneus.
Vamos voltar para 1900, quando o livro de capa vermelha nasceu e começou a ser distribuído na França. Naquela época, início do século XX, possuir um automóvel era um bem caro demais e só quem era realmente abastado tinha um.
Mesmo com carros, as ruas não eram sinalizadas o suficiente, iluminadas o suficiente e não haviam tantas farmácias assim que vendessem galões de gasolina. Era preciso incentivar a compra e uso de carros e consequentemente, comprar mais pneus.
Tamanho era o interesse para que as pessoas comprassem mais carros que a Michelin chegou a fazer lobby com o governo francês para que as estradas fossem melhoradas. A companhia chegou ao ponto de sinalizar estradas por conta própria, para que motoristas pudessem ter uma melhor experiência dentro de seus veículos.
Somado a todas essas frentes, o guia trazia informações úteis sobre manutenção do veículo e os poucos mecânicos que funcionavam a maior parte do ano, já que as oficinas costumavam fechar no inverno.
Dado importante: o guia contemplava apenas restaurantes que eram anexos de hotéis, e informava se havia estacionamento grátis, coberto, entre outras dicas que eram uma mão na roda.
Transportados ao século XX, tudo isso virou história, e até hoje o Guia Michelin é um dos mais respeitados para o viajante que busca boas informações sobre o destino que está indo, que vai além da chancela das estrelas da multinacional fabricante de pneus.
Houve um tempo no século passado que apenas 12 restaurantes em toda a França estavam no guia. Ainda hoje, podemos dizer que é restrito o número de estabelecimentos que constam nele, considerando a pluralidade da cozinha mundial em termos de sabor, tempero, técnica. O mundo é globalizado e não vivemos mais nas amarras da clássica cozinha francesa. E isso é positivo.
Ainda sim, se ponderarmos sobre o panorama das cozinhas referências pelo mundo, seja na Europa, Japão ou Estados Unidos, é possível ver que independente da técnica utilizada, ou a excelência no serviço, na cozinha, boa experiência para o comensal e restauranter, todas essas casas têm em comum uma coisa: Uma (ou mais) estrela no Guia Michelin.
“Quando um colega que está em algum projeto ao redor do mundo ganha um prêmio como este, temos a sensação de que ali existe um trabalho relevante, o guia enaltece isso. Acredito que o mais forte seja isso, as referências desenvolvidas através dele.”

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